Jazz ao centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra 2015

A edição de 2015 do  Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra assume a tensão entre a maturidade do Festival (na sua 13º edição) e a contínua necessidade de repensar as estratégias de chegar a audiências mais diversas, convidando-as a conhecer e a apreciar algumas das propostas mais relevantes do Jazz actual.
A resposta a esta tensão emerge da relação que o Jazz ao Centro Clube cultiva com a Cidade e entidades com trabalho muito relevante no contexto cultural.
A parceiros de longa data, como o Centro Norton de Matos, com quem o festival tem uma ligação umbilical, juntam-se outros mais recentes, como a Casa da Esquina, o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e o Condomínio Criativo (da Casa das Artes Bissaya Barreto).
Como sempre, o festival propõe percursos de descoberta musical em contextos singulares. A principal novidade encontra-se na extensão e diversidade destes percursos, que estabelecem um mapa cultural que liga zonas tão distintas da Cidade como o Bairro Norton de Matos, a Baixa de Coimbra, a Alta Universitária (Museu Nacional Machado de Castro) ou Santa Clara (Mosteiro de Santa Clara-a-Velha).
Se, por um lado, a Cidade como um todo é o palco desta edição, pelo lado das propostas artísticas, a ênfase está na criação nacional. Não se trata de uma perspetiva paroquial, no entanto, até porque os projetos apresentados contam com convidados de outras proveniências, dando conta da crescente internacionalização dos músicos portugueses e da sua ligação não só ao espaço europeu, mas também ao continente americano.

A programação do festival contempla várias apresentações de novos trabalhos discográficos, com especial destaque para IMPERMANENCE, da compositora e trompetista Susana Santos Silva, que lidera um quinteto do qual fazem parte algumas das figuras de maior relevo da efervescente cena portuense (Hugo Raro, João Pedro Brandão e José Marrucho) e o contrabaixista sueco Torbjörn Zetterberg; WHAT ABOUT SAM?, quinteto que junta três jovens músicos portugueses (Luís Vicente, André Rosinha e Vasco Furtado), a Federico Pascucci (Itália) e Roberto Negro (França); ELLIOTT LEVIN’S LISBON CONNECTION onde encontramos o veterano de Filadélfia Elliott Levin, a Hernâni Faustino (contrabaixo), Luís Lopes (guitarra) e Gabriel Ferrandini (bateria); e o trabalho colaborativo que coloca lado a lado Carlos “Zíngaro” (violino), Ulrich Mitzlaff (violoncelo), João Pedro Viegas (clarinetes) e Álvaro Rosso (contrabaixo).
Do contingente internacional, convirá referir a presença do duo franco-suíço constituído por Samuel Blaser (trombone) e Marc Ducret (guitarra), sendo que este último é um nome incontornável do jazz contemporâneo e o primeiro um dos jovens mais prometedores no seu instrumento. Especial destaque também para os VERTIGO (República Checa), um sexteto cujas prestações ao vivo lhe têm granjeado amplo reconhecimento do público e crítica europeia e para o solo do saxofonista holandês JORRIT DIJKSTRA.
E como os Encontros são também um espaço de criação artística, o Salão Brazil receberá o quarteto liderado pelo histórico baterista e produtor Mário Barreiros. A seu lado estarão o mestre contrabaixista Carlos Barretto e um miúdo de nome Ricardo Toscano, cujo enorme talento já conquistou os mais atentos. A completar o quarteto, teremos o pianista galego Abe Rábade. As duas noites de concertos serão gravadas para posterior edição discográfica na JACC Records.
Da criação artística a encontros singulares entre a música e o património, passando por iniciativas de formação de públicos, os Encontros de 2015 são uma festa! Venham vivê-la connosco

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